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Patrono
À Fraternidade dos Antigos
Escutas do CNE foi-lhe indicado como patrono a figura notável de
um ser humano, que se destacou ao longo da vida por defender
valores em que sempre acreditou, e que muito se aproximam dos
mesmos que os escuteiros querem fazer todo o possível por
cumprir: Essa figura notável foi D.NUNO ÁLVARES PEREIRA.
É nesse contexto e neste
personagem que podemos assentar toda a nossa mística: por um
lado, temos o herói, que o foi valorosamente com feitos
importantes e inesquecíveis, e que de certo modo todos desejamos
imitar ainda hoje. Não já o herói de capa e espada nem tão
pouco o da banda desenhada ou dos filmes. Queremos ser heróis na
vida quotidiana: o herói que arrisca a vida quando se senta ao
volante do carro para ir trabalhar ou quando viaja de avião ou
de navio; o herói quando luta pela sobrevivência para criar a
sua família e educar os filhos; o herói quando enfrenta o
egoísmo, a vaidade, a corrupção, a falta de lealdade, a
inveja... tanto na fábrica como no escritório, como junto dos
amigos ou meramente dos conhecidos. D. Nuno indica-nos sempre a
tomar o caminho como um líder, um chefe, e não como um
indivíduo amorfo; valente e não cobarde; animado e não
enfadonho, alegre e com bom humor e não triste ou aborrecido.
A outra vertente de D. Nuno
inspira-nos a chegar à santidade, objectivo final de qualquer
cristão. Não devemos esquecer a mensagem do Papa João Paulo
II, quando nos apela: não tenham medo de ser santos.
D. Nuno ofereceu-nos o exemplo de solidariedade principalmente
com os mais pobres; a humildade é revelada pelo abandono e
doação da sua imensa fortuna, só equiparada ao do próprio
rei, distribuída por aqueles que mais precisavam. A suavidade e
a doçura da sua vida pura encontrou lugar quando se recolheu na
Ordem dos Carmelitas, onde trocou as ricas vestes e a luzidia
armadura, pelo burel castanho e remendado de um simples monge,
como desejava ser o último servidor de Deus.
Por analogia podemos comparar
parte da sua vida como a de um verdadeiro escuteiro. Se não
vejamos. Começou como escudeiro da rainha, ainda muito novo,
tendo para isso de fazer as provas de adesão que na
época eram normais: comportamento na corte, etiqueta nas
refeições, domínio das armas, treino de equitação, o gosto
pela leitura, e muitas outras provas. Depois de ter ultrapassado
as provas com êxito foi aprovado e investido como cavaleiro,
aceitando as leis da cavalaria e do reino, ficando na véspera em
meditação toda a noite, em abstinência e oração, a que
podemos chamar estar em velada de armas ou em vigília de
oração. Na manhã seguinte, foi vestido como cavaleiro,
recebendo o arnês, as esporas, o elmo e por último a espada,
seguindo-se depois o juramento. Como madrinha teve a própria
Rainha D. Leonor. Todo este cerimonial leva-nos a comparar com a
Promessa escutista, quando o escuteiro já trajando o uniforme,
recebe as insígnias, o assistente coloca-lhe o lenço, a
madrinha o chapéu ou o beret e por fim o chefe
cumprimentando-o entrega-lhe a vara, saudando-o.
O Mestre de Avis, mais tarde D.
João I era o chefe a quem D. Nuno prometeu fidelidade e
respeito, e pelo seu mérito pessoal levou-o a alcançar o
comando supremo do exército português, sendo designado como
Condestável de Portugal.
É o caminho exemplar de um bom
escuteiro que vai conquistando, ano após ano, as várias etapas
de progresso, as suas competências e especialidades, os
prémios, até vir alcançar a honra de ser designado Cavaleiro
da Pátria.
Estes são os dons naturais do
escuteiro, que transforma a simples boa-acção em actos
profundos de solidariedade até mesmo de abnegação, por vezes
com risco da própria vida; nesse sentido a galeria dos
escuteiros heróis estende-se por todo o mundo.
É esse o nosso ideal, é esta a
nossa mística, que por um lado tem como cenários os campos dos
Atoleiros, de Aljubarrota ou de Valverde e por outro lado as
ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa, onde o Beato Nuno de
Santa Maria morreu. Os seus restos mortais encontram-se
actualmente na Igreja de Santo Condestável também em Lisboa.
Quando alguém te perguntar:
qual é a mística da FNA? Conta-lhe esta história, à tua
maneira, não esquecendo que ninguém cumpriu melhor os deveres
para com Deus, a Igreja e a Pátria que D. Nuno Álvares. Ele foi
um bom cidadão e filho de Portugal, lutando sempre pela sua
liberdade. Foi bom filho, bom marido e um esforçado pai, o que
muito nos orgulha ter como patrono e modelo da nossa
Associação.
O Dia de Beato Nuno
comemora-se a 6 de Novembro.
Imagens do Santo Condestável
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